Uma final de taça devia ser o momento de coroação de uma temporada, o dia em que tudo o que veio antes se transforma em troféu ou memória. O Sporting CP chegou ao Jamor com a chance de selar o bi-campeonato da Taça de Portugal, algo que apenas três treinadores na história do clube conseguiram. Saiu de lá com uma derrota tão abrangente que exige um repensar completo do que esta equipa realmente é.
O Torreense, um clube da segunda divisão, venceu o Sporting na final (11). Não foi um roubo contra a corrente do jogo. Foi uma equipa que somou 82 pontos e um saldo de golos de +65 no campeonato, 2ª na tabela, a ser superada por um clube que agora vai jogar futebol europeu a partir do segundo escalão. Não há como disfarçar. Rui Borges teve a chance de entrar para um clube exclusivo de vencedores consecutivos da taça. Em vez disso, passará o verão a responder a perguntas que nenhum treinador quer enfrentar.
A última dança, que correu mal
A final carregava sempre um peso emocional para além do troféu. Hidemasa Morita e Geovany Quenda já tinham confirmado as suas saídas. O capitão Morten Hjulmand era amplamente esperado para fazer a sua despedida, com uma mudança para se juntar a José Mourinho dada como iminente. Maxi Araújo é alvo de consultas do Manchester United e do Arsenal, avaliado em 80 milhões de euros. Luis Suárez afirmou publicamente que o seu "futuro é incerto" e não descartou uma saída, com o Newcastle interessado em acionar a sua cláusula de rescisão de 80 milhões de euros (8).
Isto é uma espinha dorsal a ser desmantelada em tempo real. A derrota para o Torreense não foi apenas um mau dia, foi uma prévia da vida depois destes jogadores. A química que carregou o Sporting durante a campanha do campeonato já era frágil, e a narrativa da digressão de despedida pode ter-se tornado mais pesada do que qualquer um antecipava.
Andersen chega, mas a reconstrução parece apressada
O Sporting está perto de finalizar um negócio para o médio do BK Häcken, Silas Andersen, que admitiu que a mudança é "tentadora" (2) (5). Jogou o seu último jogo pelo Häcken esta semana, despedindo-se com um golo (3) (4). Um contrato de cinco anos é esperado. É um médio defensivo de formação, o perfil que se procuraria se estivesse a perder Hjulmand.
Mas uma única contratação, por mais promissora que seja, não consegue absorver o volume de saídas esperadas. O Everton também está a pressionar pelo lateral-direito Georgios Vagiannidis (9). A narrativa do regresso de Palhinha está a ganhar força, com a família a pressionar supostamente para um regresso a casa (7), mas isso ainda é um rumor, não um negócio.
O que acontece a seguir
A preocupação imediata é a qualificação para a Liga dos Campeões, que agora depende do resultado do Manchester City contra o Aston Villa. O caminho do Sporting para a fase de grupos está fora do seu controlo. Para além disso, o verão vai definir o mandato de Borges. O clube terá alegadamente marcado Fresneda, Diomande, Maxi Araújo e Geny Catamo como não negociáveis. Manter essa linha enquanto se integra Andersen e potencialmente Palhinha, e se encontra um substituto para a liderança de Hjulmand, é a tarefa. A derrota para o Torreense foi uma humilhação. Se se torna uma aberração ou um sinal de alerta depende inteiramente das próximas oito semanas.